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Entretenimento EliasElias 08 Agosto 2021 (175)

Galeria online explora expressão de jovens que crescem na cibercultura

Galeria multimídia virtual Centennials foi lançada neste domingo

Galeria online explora expressão de jovens que crescem na cibercultura

A era digital tem proporcionado novas experiências artísticas e museológicas. De um lado, há museus tradicionais disponibilizando acesso aos seus acervos por meio da internet. De outro, novas exposições já nascem convidando o público para uma experiência no ambiente virtual.

A pandemia de covid-19, que levou ao fechamento temporário de diversos espaços culturais, ampliou ainda mais as provocações aos artistas acerca do potencial da internet.

Produzida nesse contexto, a galeria multimídia virtual Centennials, que será lançada hoje (8), busca estimular reflexões a partir da expressão de adolescentes que estão crescendo em meio às oportunidades e pressões da cibercultura. São jovens que não chegaram a conhecer o mundo sem a internet.

"Não acho que seja um retrato de uma geração, porque cada geração tem várias camadas. Mas é um trabalho sobre aquilo que está sempre muito presente na adolescência, que é a necessidade de rompimento, de reinvenção, de renascimento, de desconstrução".

"Precisamos cada vez mais aprender a lançar o olhar para o outro sem julgamentos, sem querer interpretar o outro a partir da nossa própria caixinha. Então, propomos um encontro com estes limiares múltiplos", explica a fotógrafa mineira Márcia Charnizon, que assina o trabalho.

Usando fotografias, áudios, vídeos, desenhos e poesia, a galeria multimídia busca explorar, de forma poética, imagens e discursos de jovens entre 16 e 19 anos que destoam dos padrões de estética, de comportamento e de sexualidade estabelecidos pela sociedade.

"Escolhi me encontrar com mulheres cis, transgêneros e pessoas não binárias e deixá-las aparecer. Meus trabalhos têm essa dinâmica. É como eu entendo a fotografia. Deixar o outro aparecer para ver como a pessoa ressoa dentro da gente. Acredito nesse movimento", diz Márcia.

O lançamento ocorrerá às 18h com a apresentação online de um minidocumentário sobre a produção da galeria e, em seguida, haverá uma live no Instagram com a presença de adolescentes que participaram do projeto.

A galeria, no entanto, já está no ar. Pessoas com deficiência auditiva ou visual também podem ter acesso ao conteúdo por libras e por descrições.

Márcia conta que o projeto nasceu de uma inquietação pessoal diante da entrada de seus filhos na adolescência.

"É um sentimento interno que mistura um pouco de abandono com o desconhecido e com o descontrole. Essa percepção de que eu não controlo mais e que eu preciso me reinventar".

"É como se eu estivesse entrando em um outro planeta. E aí eu via as amigas coloridas dos meus filhos. Coloridas em todos os sentidos da palavra. Tinha muita vontade de escutar essas pessoas, saber o que elas pensam", disse.

"E é um período onde há um hiato: a gente quer conversar com os filhos, mas os filhos não querem conversar com a gente. É um momento da vida que é bonito, que é justamente um momento de rompimento e que é necessário", avalia.

Para a fotógrafa, os discursos desses jovens imersos na cibercultura revelam que mudanças de paradigmas estão em andamento.

"Há pouquíssimo tempo, não sabíamos, por exemplo, o que era um relacionamento tóxico. A gente vive dentro de uma estrutura patriarcal. Mas há uma desconstrução acontecendo e, quando ouvimos essas pessoas, percebemos isso. É muito forte".

* Léo Rodrigues/Agência Brasil
Foto: Márcia Charnizon / divulgação

É um sentimento interno que mistura um pouco de abandono com o desconhecido e com o descontrole. Essa percepção de que eu não controlo mais e que eu preciso me reinventar.

Fotógrafa Márcia Charnizon é a responsável pelo projeto Centennials 

PLATAFORMA
- Explorar artisticamente as plataformas virtuais é algo que abre novas oportunidades na visão de Márcia. Segundo ela, a galeria Centennials será como um livro colocado no mercado e ficará disponível aos interessados por tempo indeterminado.

"Eu pensei esse trabalho inicialmente como uma instalação multimídia presencial, mas eu precisaria de um patrocinador. Não é barato. Aí apareceu o edital e eu consegui um recurso, que era limitado, mas me possibilitava fazer a galeria virtual. E foi um desafio, veio uma enxurrada de novidades", conta a fotógrafa.

Márcia, que tem no currículo a conquista do XIII Prêmio Funarte de Fotografia, desenvolveu o projeto através da Lei Aldir Blanc, recebendo verba do Ministério do Turismo e do governo de Minas Gerais. "Deu uma força em um momento difícil. Sem esse apoio, não faria a galeria", avalia.

A Lei Aldir Blanc ganhou esse nome em homenagem ao compositor que faleceu devido a complicações com a covid-19 no ano passado. Trata-se de uma ação emergencial específica para apoiar o setor cultural em meio à pandemia.

Demandada pelos artistas, ela foi aprovada no Congresso Nacional com apoio de parlamentares da base do governo e da oposição.

A União ficou responsável por repassar aos estados e municípios R$ 3 bilhões, que poderiam ser empregados de diferentes formas: renda emergencial aos artistas, subsídios para manutenção de espaços, empresas e instituições culturais, editais para realização de eventos ou para produção cultural, entre outros.

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